01/09/2013 - 12h09min

Coroa de lata

Os músicos da orquestra

Com seu peito estufado

Em uma heróica sinfonia

Vibram no palco aveludado

 

Tudo é tão lindo e radiante

E na seção dos violoncelos

Apareceu um casalzinho

Entre sorrisos amarelos

 

Doutores usam seus jalecos

Cortando fundo na ferida

Em suas mãos o bisturi

E o rumo de uma vida

 

Quanta nobreza e fidalguia!

Nesta nobre profissão

Todo médico é sem dúvida

Um notável cidadão

 

E nos salões do tribunal

Soa brilhante glossário

Onde o juiz é a estrela

Tecendo o seu comentário

 

Tem um anel de rubi

O distinto magistrado

Tem poderes e prestígio

Nosso caro advogado

 

E o poeta quem será?

Que ninguém presta atenção

Chego até a duvidar

Se ele existe ou não

 

Sua coroa de lata

Tem a forja do mistério

Mas não entra nas cabeças

Deste seleto ministério

 


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24/08/2013 - 16h08min

A praça dos mistérios

O bólido azul-marinho roda suavemente pelo asfalto. Estou com o olhar fixo na estrada, a luz dos faróis rasga a escuridão enquanto minha mão pesada repousa sobre o volante. A estrada é sinuosa, a claridade da lua cheia se mistura entre as sombras das árvores ao redor. Vez por outra um carro surge na pista contrária, despertando os sentidos adormecidos. Dirijo alguns metros ainda, antes de entrar à direita e penetrar na simpática província de Nova Milano.

 

Dizem que foi aqui que a imigração italiana teve início em solo gaúcho. Uma rua com um canteiro no meio, algumas casas pitorescas, uma bodega, a torre alta da igreja. Na praça, em breve vai ter início o show do cantor Erasmo Carlos. Um evento de rara fortuna, para um lugar tão afastado das metrópoles e cidades. Não posso perder essa, penso enquanto desligo o motor. Deixo o carro em um terreno baldio nas cercanias, parece que toda a população do lugar estará presente para conferir o ídolo das matinês da jovem guarda. O vento gelado da noite açoita meu rosto, enquanto caminho devagar pela calçada. A praça está tomada com bancas de artesanatos e guloseimas, tudo faz parte da programação de um encontro de folclore italiano, inclusive o concerto do “Tremendão”. Vago em direção a uma tenda onde está escrito: “agnolini frito”. Vivendo e aprendendo, penso com meus botões. Para mim, agnolini era só para colocar na sopa, mas o gringo que é gringo tem lá os seus luxos. Experimento a iguaria sentado em um banco de pedra, degustando o agnolini como se fosse pipoca, junto com um copo de quentão.

 

Assim que soam os primeiros acordes do show, constato que Erasmo continua em forma. Mesmo com toda a sua extensa ficha de serviços prestados à música brasileira, o homem segue compondo novos temas. Mas foi quando ele tocou um dos seus antigos sucessos que eu vibrei de verdade. “Sou uma criança não entendo nada”, filosofa Erasmo, provando que o eterno garoto está vivo. À medida  que avança o carrossel de lindas canções, passo a observar o povo reunido ao redor do palco. O que estaria se passando dentro da cabeça da “nona” na minha frente? Trajando um casaco de lã sobre o corpinho frágil, óculos de aros grossos e cabelo tingido de vermelho, talvez tivesse idade similar à do astro. Ainda que o mundo frenético do rock’n’roll fosse estranho para ela, acompanhava o show com atenção, as luzes coloridas refletindo em seu rosto branco e enrugado.

 

Quando o roqueiro que há em Erasmo cede espaço ao cantor romântico, o resultado é ainda mais devastador. Frutos da sua parceria com Roberto Carlos, como “Sentado à beira do caminho” e “Detalhes”, são resgatados em um instante mágico, fazendo com que eu vire o pescoço na tentativa de encontrar os olhos da bela morena que está um pouco atrás. Ela retribui com o rosto sério, mas convidativo, preenchendo meus sonhos de calor humano e fantasia. Enquanto isso, muito à vontade na ribalta, o Tremendão é o dono da noite. O amor está nos corações, e o responsável por isso é o bardo dos cabelos prateados. Sucedem-se novos lapsos de emoção e nostalgia, até que o concerto ruma para o seu momento derradeiro. Entre as palmas, o gelo seco e a apoteose do “gran finale”, tento outra vez avistar a minha musa dos olhos amendoados.  Onde terá ido a doce criatura? Não a vejo mais, quanta desilusão! 

 

A turba vai se dissipando aos poucos, enquanto parto em busca da minha carruagem de aço. Novos caminhos repousam à frente, prontos para serem desbravados. Entretanto, por mais que eu tente, nenhum deles vai me levar de volta àquela praça, com suas tradições, mistérios e desejos pairando no ar gelado de um sábado à noite.      

 


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17/08/2013 - 16h08min

Ringue rural

Foram anos bons e foram anos ruins para a lavoura. Em todos eles lá estava Carmen, semeando e colhendo cebola sob o sol escaldante sem reclamar. Apesar de ser apenas um garoto, a rotina de labores no campo era dividida com os bancos da escola na vila americana de Canastota. A família Basile tinha vindo da Itália em busca de novos horizontes, e agora dependia dos humores do clima, dos ventos e da chuva para prosperar. Carmen empunhava a enxada com humildade, arando a terra enquanto respirava o perfume acre do esterco das vacas.  Era um simples agricultor e uma criança, antes de crescer e se interessar pelo ambiente do boxe. Foi uma paixão fulminante, que sobreviveu aos protestos da sua mãe, sempre pedindo ao filho que abandonasse aquele esporte sujo e violento. Sua ascensão dentro dos ringues foi lenta, mas contínua, até o dia em que Carmen Basilio fez por merecer o papel de desafiante ao título dos meio-pesados.

 

Alguns anos antes, no início da década de 1940, um moço cubano chamado Gerardo Gonzalez buscava uma alternativa para o trabalho ingrato e árduo praticado por seus pais. Afinal, a vida cortando cana, entre cobras venenosas, seis dias por semana, além de render uma ninharia, não era o futuro almejado por ele. A luz no fim do túnel surgiu quando Gerardo passou a frequentar uma academia de boxe na cidade de Camaguey. Ir da roça para o ringue, contudo, não foi o passaporte para um mar de rosas. Mas com luvas ao invés de uma foice nas mãos, o garoto mostrou que tinha talento. Junto com a alcunha de Kid Gavilan, nasceu também um novo virtuose do boxe. Ainda que fosse impossível prever, quando se mudou para os Estados Unidos, em 1947, Gavilan estava fadado a tornar-se campeão. Seu estilo exuberante de lutar incluía o famoso “bolo punch”, um golpe aperfeiçoado e imortalizado por Gavilan. Essa manobra difícil, bela, e pouco ortodoxa, era feita com um dos braços estendido desenhando um círculo no ar, subindo e descendo até a linha do joelho para acertar o oponente como se fosse a roda de um moinho. Rapidamente Gavilan conquistou os fãs de boxe na costa leste do país ianque, graças ao seu carisma e artimanhas.

 

Em 1953, Gavilan reinava absoluto como detentor da coroa mundial dos pesos meio-médios, quando surgiu em seu caminho o antigo catador de cebolas de Canastota. Carmen Basilio vinha espreitando com paciência o trono de campeão, derrubando inimigo após inimigo, até despontar como um legítimo contendor. A luta foi marcada para Syracuse, reduto de Basilio próximo de Nova Iorque. Uma das qualidades de Basilio era absorver o castigo dos golpes, raramente acusando o baque do impacto, por mais tremendo que ele fosse. Apesar de ter derrubado o campeão no segundo assalto, Basílio foi aos poucos sendo envolvido pela imensa técnica e experiência de Gavilan. Dono de um corpo esguio, com braços finos e compridos, o cubano disparava golpes cirúrgicos contra o rosto do desafiante, deformando-o lentamente, como um pintor que produz uma obra sinistra e bizarra. Com o olho inchado e roxo, mais parecendo uma das cebolas que costumava colher na juventude, Basilio lutou bravamente, mas perdeu a decisão por pontos após quinze assaltos. Foi um resultado polêmico. Para muitos especialistas, Basilio teria vencido o combate. Sem embargo, as coisas nem sempre são o que parecem no teatro dos ringues. Trabalhando em silêncio, nas sombras, a máfia corrompia juízes e até pugilistas, tornando a doce ciência do boxe um jogo de cartas marcadas.

 

Não sabemos se esse foi o caso daquela luta entre Kid Gavilan e Carmen Basilio. O fato é que Basilio permaneceu fiel ao espírito do esporte e ao caráter puro do camponês que havia dentro dele, recusando-se a pactuar com os bandidos de terno e gravata ao longo da sua carreira. Seu memorável duelo com Gavilan foi, antes de tudo, a reunião de dois nobres campeões, que subiam no ringue com a coragem e a alegria do lavrador que levanta antes do sol nascer para trabalhar. E que só volta para o conforto do lar, cansado e feliz, quando a noite derrama suas estrelas sobre o campo.   

 


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05/08/2013 - 21h18min

Os bordões de Celestino

Com o retorno do Aimoré à primeira divisão do futebol gaúcho, creio ser a hora de resgatarmos um dos seus mais ilustres torcedores. Falo de Celestino Valenzuela, destacado jornalista de algumas décadas atrás. Durante meus últimos anos no colégio, era quase uma obrigação assistir Celestino apresentar a seção de esportes de um noticiário na televisão. Entretendo os lares e bares na hora do almoço com seus bordões, vestindo seu terno marrom na bancada do programa, Celestino narrava as jogadas com destreza. Quem não se lembra da sua chamada característica quando ia falar sobre o time azul e branco de São Leopoldo? “E o Aimoré...”, Celestino contorcia a voz, em uma tirada cheia de humor e inspiração. Ele foi um dos ídolos da minha geração, e continuaria sendo, se não tivesse se aposentado. Agora, Celestino apenas pesca, jogando a isca para pegar o peixe como fisgava o telespectador com sua verve.

 

Quando eram transmitidos os compactos do jogos, nos domingos à noite, Celestino brilhava, principalmente quando deixava fluir o seu inconfundível: “Que, lance!”. Isso acontecia depois de lances emocionantes e de grande perigo, mas que não acabavam em gol. Depois que o locutor saiu de cena, perdemos uma fonte de sagacidade na cobertura esportiva. Eu colocaria o moço de Alegrete em um patamar onde estivessem figuras como Januário de Oliveira, Carlos Valadares, Osmar Santos, e tantos outros gênios do ofício.

 

No que diz respeito ao Aimoré, vem à mente a campanha de 1959, quando, sob as ordens de Carlos Froner, o clube brigou pelo título gaúcho até o fim. Eram dias de sol e alegria nas arquibancadas do estádio Cristo Rei. Craques como Mengálvio, Marino e Gilberto Andrade fizeram história, ameaçando seriamente a supremacia da dupla Grenal. Tomara que o velho e bom Aimoré volte a fazer bonito agora, para deleite da torcida e do grande inventor de bordões que foi Celestino Valenzuela.

 


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29/07/2013 - 21h07min

O saci subiu a serra

O saci subiu a serra

Vestindo uma touca vermelha

Em sua funda um pedregulho

Em seu cachimbo uma centelha

 

Passando entre araucárias

Num dia de frio e sol

Foi armar sua arapuca

Em um campo de futebol

 

Que ficava bem do lado

De um triste cemitério

Onde a noite era gelada

E voavam quero-queros

 

O saci subiu a serra

Num dia de ventania

E olhou para as estrelas 

E caçou com valentia

 

Das praias quentes do Recife

Veio uma cobra-coral

Mas o saci com esperteza

Botou no saco o animal

 

Com seus dentes afiados

O tigre veio de mansinho

Mas caiu na armadilha

Que o saci fez no caminho

 

Em um lago cristalino

Com uma vara de pau

O saci pôs-se a pescar

E pegou um bacalhau

 

O coelho também veio

Conferir a confusão

Mas levou uma paulada

Seu saci, que ingratidão!

 

E até mesmo o urubu

Muito malandro e folgazão

Foi direto pra panela

Que o saci pôs no fogão

 

O saci subiu a serra

Pulando numa perna só

E chutando a pelota

Lá no fundo do filó

 


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25/07/2013 - 22h07min

Borboletas na neve

Estou caminhando nas ruas da cidade gelada. Passo a passo, com as mãos atrás da cintura, penetro firme no breu da noite. Apesar do frio, vou devagar, analisando a vegetação do parque, os ônibus no corredor, guardas e ambulantes ao redor. Subindo a rampa do Araújo Viana, passo por vários vendedores de quentão, com luvas e gorros de lã, mexendo com uma concha a bebida quente na panela.  Festa junina em julho, ainda mais com essa temperatura polar, não tem problema nenhum.

 

No interior do teatro, holofotes de cor laranja iluminam o ambiente. Pela primeira vez estou pisando no lendário templo da música gaúcha e brasileira, onde grandes concertos e espetáculos foram realizados através da história.  Com a ajuda de uma simpática recepcionista, encontro meu lugar na plateia, passando a seguir com os olhos o movimento das pessoas que vão preenchendo as cadeiras. Em breve o show vai começar.

 

As luzes se apagam em um momento fortuito, isqueiros e celulares brilham no escuro. Em meio às brumas do palco, vai surgindo aos poucos, como que egresso de uma dimensão distante, o incomparável Benito Di Paula! Ou seria Fu Manchu, com seu comprido bigode negro e uma aura de mistério? Observo ainda. Benito é um pouco corcunda, não muito alto, não estou conseguindo ver o seu rosto nitidamente. Ele agora está sentado ao piano, cantando a primeira música do show.

 

O piano de cauda preto e brilhante obedece as mãos de Benito, produzindo notas na medida certa para dar vida à suave melodia. Quatro mulatas elegantes, típicas sambistas da capital, estão atrás de mim, e não perdem a oportunidade de mandar recadinhos apaixonados ao Benito entre um número e outro. O astro está botando as cartas na mesa, atacando de Lupicínio Rodrigues, ou cantando um de seus próprios sucessos, enquanto passeia pela ribalta. A banda está atenta. De um lado, o surdo, a percussão e a bateria. Do outro, a guitarra, o baixo e o cavaquinho. O espetáculo é uma verdadeira gangorra de emoções. Sambas tristes e melancólicos, estilo “fossa”, dominam boa parte do repertório. Entretanto, não faltam os clássicos, como “Mulher Brasileira”, “Tudo Está No Seu Lugar”, e a singela homenagem à Luiz Gonzaga com “Sanfona Branca”.

 

À medida que o show se aproxima do final, um frenesi coletivo vai tomando conta da plateia. Quando soam os acordes de “Retalhos de Cetim”, um sujeito algumas cadeiras na frente está de pé, com um copo de cerveja na mão,  balançando a cabeça e os braços extasiado. Noto que Benito ainda se lembra de uma das minhas favoritas. Ele agora está cantando: “Eu sou como as borboletas, tudo que eu penso é liberdade...”.  Meus olhos estão marejados, mas ainda consigo ver as sílfides que saem de dentro do piano, batendo asas rumo à noite gelada e à neve que cai sobre o asfalto da avenida.

 


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11/07/2013 - 23h07min

O caderninho

Em um café de Paris, nos anos 1920, Hemingway apontava seu lápis, bebendo doses de rum entre a atmosfera laranja do crepúsculo. As lascas caiam como folhas secas sobre o balcão, enquanto o escritor buscava inspiração e coragem para prosseguir em sua labuta. Uma trama interessante para botar no papel, feita de uma verdade toda sua, era o que o jovem procurava. Entretanto, as parisienses que iam e vinham, com sua beleza e seu perfume estonteante distraíam o artesão das palavras. Às vezes as ideias surgiam por acaso, e a história ganhava vida própria, independente da vontade do autor. Com a cabeça em um estado de confusão, Hemingway guarda no bolso de dentro do paletó o pequeno bloco, toma o último gole do seu drink, e mergulha na rua gelada da metrópole.

 

Noel Rosa, por sua vez, usava um toco de lápis tão pequeno que quase desaparecia entre seus dedos. Com o violão embaixo do braço e um copo de chop sobre a mesa do botequim, o exímio compositor criava freneticamente, escrevendo em um guardanapo ou num pedaço qualquer de papel. Uma parceria com Almirante aqui, uma canção vendida para Francisco Alves acolá, Noel ia acabando com seus tocos de lápis. E que lindos sambas ele fez! É certo que a ironia era o seu forte. Na forma mordaz de falar de amor, sem muito romantismo ou grandes ilusões, o boêmio encontrou a matéria-prima da sua música.

 

O mesmo amor inacessível aos olhos de Noel ainda é motivo de versos escritos com paixão em diários adolescentes. Disponíveis em capas das mais variadas cores e tamanhos, cada diário é um rascunho de confidências e segredos com o nome da pessoa amada desenhado em letra caprichada e tintas berrantes. Páginas que despertam a cobiça da gurizada, curiosa em saber por quem cada garota bonita da classe nutre seus sonhos de carinho. 

 

Pepe não era mais nenhum colegial quando cultivou o hábito de anotar, em um estimado caderninho seu, as proezas da carreira de jogador de futebol. Uma paixão tão intensa como a sentida por uma mulher, diga-se de passagem. O popular “Canhão da Vila Belmiro” trilhou um caminho repleto de conquistas, graças ao estrondo olímpico da sua perna canhota. Adornadas com a caligrafia inconfundível de Pepe, certamente constam em seu diário as peripécias do tremendo ataque do Santos na década de 1960. Deixemos que os devaneios da memória conduzam o enredo daqui para frente.

 

O porto-alegrense Dorval Rodrigues, na ponta-direita, encantava a todos com suas arrancadas, sempre perigosas e certeiras. Vindo de Laguna, Santa Catarina, Mengálvio era uma peça chave para o sucesso do conjunto, cadenciando o ritmo do jogo com elegância. Com a camisa nove brilhava Antonio Wilson Honório, ou simplesmente Coutinho. Rapaz de Piracicaba, era o sócio perfeito do mineiro Pelé, o maestro do quinteto, na confecção de gols e tabelas mirabolantes. O lado esquerdo da ofensiva peixeira era o território do nosso dublê de escritor e último integrante desse verdadeiro ninho de cobras. Pepe nasceu em Santos, construindo seus castelos de areia na praia até o dia em que se tornou atleta profissional. E que estupendo jogador ele foi! Legítimo paladino do nosso futebol, Pepe fez sua estreia na seleção brasileira em partida contra a Argentina, no ano de 1956.

 

E foi assim, ora vestindo a camisa canarinho, ora aquela do clube alvinegro, que Pepe viveu a sua inesquecível aventura com a bola nos pés. Curiosamente, para contar tantas lendas e histórias, Pepe acabou trocando os pés pelas mãos. Com o pulso firme, escrevendo em seu caderninho com devoção, o craque afiava a ponta do lápis, enquanto via reminiscências e felpas de madeira caírem, uma após a outra, através da lâmina fria de metal.

 


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Memórias do esporte

Lúcio Humberto Saretta, autor dos livros "Alicate Contra Diamante", "Crônicas Douradas" e "Lições da Barbearia", resgata os monstros sagrados do futebol, do boxe e do basquete de um jeito diferente, contrastando o ser humano e o ídolo, o mito e a realidade, jogando novas luzes em um tesouro adormecido e pronto para ser explorado, ou seja, as memórias do esporte e seus curiosos protagonistas. Neste espaço, o leitor também vai encontrar a opinião do cronista sobre o atual cenário esportivo, seus detalhes, polêmicas e novidades.

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