20/06/2013 - 21h06min

De olhos bem fechados

O jogo entre Itália e Japão pela Copa das Confederações me fez lembrar como o futebol pode ser bonito. Os noventa minutos correram frenéticos, viajando em um carrossel de emoções sem precedentes, com as duas equipes goleando e brigando sem trégua do início ao fim. O conjunto da terra do sol nascente mostrou que está em franca evolução no que diz respeito às artimanhas e segredos do violento esporte bretão. Além de atuar com mais coração, os pupilos do técnico Alberto Zacheroni exibiram uma técnica superior, praticando um jogo vertical e ousado, trocando passes de primeira e levando ao desespero os defensores italianos.

 

Ao contrário do que a história nipônica de outros combates poderia nos fazer supor, não foi uma tática “kamikase”, mas uma jornada digna de figurar entre os grandes momentos do futebol mundial em todos os tempos. Sem se intimidar com a camisa e a tradição da famigerada “squadra azzurra”, o Japão conquistou a simpatia do público presente à Arena Pernambuco. Após abrir dois gols de vantagem de forma categórica, os bravos atletas de olhos puxados tiveram um raro momento de distração, o suficiente para De Rossi descontar no final da primeira etapa. No segundo tempo a Itália virou a partida logo nos primeiros minutos, cínica e mortal como sempre, aproveitando vacilos da retaguarda asiática. Mas o Japão não se entregou, logrando o empate com o habilidoso Okazaki. No fim, o gol da vitória italiana foi um castigo cruel, tendo em vista o maior volume de jogo apresentado pelos pequenos gigantes samurais.

 

Enquanto a bola rolava sobre a relva, protestos eclodiam de norte a sul, dando sequência ao momento único vivido pelo Brasil.  As espessas turbas municipais deixam seu recado dia após dia, escancarando as insatisfações do cidadão cansado de tanto trabalhar sem ver a cor do dinheiro, enquanto um bando de políticos ladrões manda e desmanda no país. Seria bom se a presidente Dilma, que lutou de forma tão corajosa contra a ditadura militar, tivesse uma atitude mais enérgica para enfrentar a ditadura atual. Que não é mais a ditadura dos tanques e torturas, mas a ditadura da corrupção que governa a nação sem escrúpulos, sufocando os anseios do povo por um futuro melhor. Espera-se que Dilma não permaneça de olhos fechados agora, como fizeram tantos governantes em eras passadas, fingindo normalidade, calados, surdos e cegos ante a absurda realidade que emerge nas ruas. Afinal, se o Japão tem crescido tanto no futebol, por que não pode o Brasil crescer em honestidade?

 


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17/06/2013 - 22h06min

Não culpem o futebol

Não dá para ficar indiferente a onda de protestos que assola o país. Todas as reivindicações são legítimas, principalmente aquela que clama por um preço mais acessível para o transporte público. É importante que se diga que a violência empregada pela polícia e por alguns manifestantes não tem justificativa alguma.

 

Entretanto, muitas vozes entre os descontentes reclamam da realização da Copa do Mundo no Brasil. Trata-se de uma polêmica que leva a vários caminhos e diversas análises, até porque ninguém garante que, se não houvesse Copa no ano que vem, recursos seriam realmente destinados para a saúde, segurança, etc. Provavelmente ficaríamos sem nada: nem Copa, nem melhorias na vida do cidadão comum.

 

Mais do que um esporte, a parafernália chamada de “verdadeira instituição brasileira” por Gilberto Freyre, vive imersa em terríveis paradoxos, despertando reações de amor e ódio desde os seus primórdios entre nós. O povo que protesta agora tem um argumento fortíssimo no que diz respeito ao desperdício de dinheiro público na construção dos estádios, ainda que isso seja consequência, antes de tudo, de incompetências políticas e administrativas, e, em última análise, da cultura de levar vantagem arraigada em nosso país.     

 

Ainda assim, eu poderia listar aqui vários benefícios trazidos pela Copa, como a geração de empregos, melhorias na infraestrutura das cidades, o Brasil voltando a aparecer na vitrina mundial como um país capaz de sediar eventos importantes. Não esqueçam que o Maracanã foi erguido em função de uma Copa do Mundo, e está aí até hoje, símbolo da  vitória de uma nação contra o atraso e o esquecimento.

 

A importância do futebol vai além. Somente em eventos esportivos os atuais governantes sofreram com vaias. Primeiro Lula, no Pan de 2007 e, agora, Dilma. São muxoxos da classe média, dirá alguém. Mas também ela, cada vez mais oprimida pelos altos impostos, têm direito ao protesto. E aqui repousa outro disparate, pois o povo de baixa renda é que deveria estar presente nos estádios da Copa das Confederações. Então o futebol virou uma coisa de elite, o que é detestável, mas de uma forma ou de outra serviu para canalizar insatisfações contra as autoridades que, afinal, são as responsáveis pelo preço da passagem de ônibus. O círculo se fecha.

 

Tanto o futebol como a corrupção fazem parte do DNA do país. A diferença é que o primeiro pode ser útil, enquanto a segunda é o grande inimigo a ser combatido para que haja uma maior igualdade e qualidade de vida para o povo brasileiro.  Não vamos botar tudo no mesmo saco, sob o risco de perder o tão sonhado "bonde da história".

 


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15/06/2013 - 13h06min

Balada do perdedor

Salvem o valente perdedor!

Que segue na vida a rolar

Ninguém percebeu a sua dor

Nem viu seu castelo desabar

 

Toda beleza escondida

Em um sonho terminado

Nunca curou a ferida

Nem trouxe o sol em seu reinado

 

Está escrito em um muro

Que é proibido perder

Na solidão de um beco escuro

Na luta em cada amanhecer

 

Entretanto essa vitória

É uma estranha em seu caminho

Pois não perseguiu a glória

De taças de ouro e vinho

 

Mas é proibido perder

Nas roletas da sociedade

E nas entranhas do poder

E nos pecados da cidade

 

Não existe perdão

Nem mesmo para o perdedor

Que rolou dados em vão

No jogo duro do amor

 


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06/06/2013 - 23h06min

Prisioneiros da arte

Zuenir Ventura disse certa vez que não gosta de escrever. Para o jornalista mineiro, o bom mesmo “é ter escrito”, um momento parecido com a hora do recreio no colégio, o instante em que soa o apito da fábrica, ou quando o pintor dá aquele passo para trás, a fim de olhar pela última vez a sua obra concluída.  Afinal, burilar as palavras é uma tarefa como qualquer outra, e, por mais genial e habilidoso que seja o escritor, nem sempre é possível adorar incondicionalmente o ato de escrever, ou extrair prazer do mesmo. Até que o texto esteja pronto para ser impresso ou publicado é um longo caminho, feito de trabalho pesado e cansativo.

 

Dizem que Gessy, um dos maiores e o mais misterioso craque da história do Grêmio, não gostava de jogar futebol. Escondido atrás de uma viga do vestiário, o maestro tricolor nos anos 1950 torcia para não ser visto pelo técnico Foguinho. Assim ele podia fumar seu cigarro em paz, e sonhar com a carreira de dentista. Quando não havia mais saída, Gessy ia para o treino, fazia a ginástica com enfado, chutava a bola burocraticamente. No dia do jogo, Gessy arrebentava com a partida, parindo lances repletos de fúria e sagacidade, como um lindo louco dos gramados.  Apesar da sua capacidade tremenda para o esporte, Gessy abandonou tudo precocemente, deixando atrás de si uma longa sombra de lendas e gols.

 

E houve Sugar Ray Robinson. Em um tempo em que o boxe ainda tinha muito a oferecer como esporte e espetáculo, Ray brilhou acima de todos, sendo considerado por especialistas o melhor pugilista “quilo por quilo” de toda a história da nobre arte. Entretanto, o estupendo campeão dos ringues afirmou que não gostava de lutar. Para Ray, a “doce ciência” do boxe soava como algo bárbaro e degradante, ainda que fosse um dos poucos caminhos para fugir dos fantasmas da pobreza e do preconceito racial. “Meu trabalho é machucar pessoas”, disse ele ao juiz que o interrogou posteriormente à morte de Jimmy Boyle, rival nocauteado por Ray em 1947 que não resistiu às lesões da luta. Uma resposta desconcertante e de triste ironia, mas dita com absoluta franqueza.

 

Apesar dessa fatalidade, Ray permanece como um atleta admirado até hoje. Curiosamente, o seu talento avassalador para o ofício acabou sendo maior do que a sua vocação para o boxe em si, acorrentando luvas de chumbo em seus mágicos punhos.

 


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30/05/2013 - 14h05min

O arqueiro fantasma

O Fluminense disse adeus à disputa da Copa Libertadores da América. Ontem, no estádio Defensores Del Chaco, o time brasileiro acabou eliminado do torneio pelo Olímpia, em uma partida repleta de drama e nervosismo.

 

Assistindo o jogo pela televisão, percebi um certo menosprezo por parte do locutor da nossa toda poderosa emissora ao falar sobre as imagens geradas pela sua colega paraguaia, ao mesmo tempo em que se vangloriava do “padrão Globo de transmissão”. Faltou ética nos comentários do sempre competente Luis Roberto que, para piorar, junto com Júnior, outro cara que eu admiro, teve a atitude pouco recomendável de dizer que a partida estava “fácil”, após o gol marcado por Rayner nos primeiros minutos do confronto.

 

Afinal, sabemos bem que o Olímpia é um time copeiro e experiente, que tem tradição, tendo vencido por três vezes a Libertadores da América. Após virar a partida, o clube da terra da guarânia literalmente abafou a reação tricolor, valendo-se de uma boa dose de catimba e especulando cinicamente em perigosos contra-ataques. Foi um duro golpe para a torcida, que viu adiada mais uma vez a chance de erguer a tão sonhada taça continental.

 

Por outro lado, uma sensação de “déjà-vu” deve ter percorrido a espinha do técnico Abel Braga após o apito final. Novamente o fantasma branco e preto do Olímpia surgia terrivelmente em seu caminho, levando embora esperanças de um futuro melhor. Em 1989, no comando do Internacional, um jovem Abel havia sofrido o mesmo destino cruel, quando o time paraguaio provocou aquela que é considerada a maior tragédia da história do estádio Beira-Rio até hoje.

 

Após expugnar o Defensores Del Chaco com um golaço de bicicleta do meia Luis Fernando Rosa Flores, o Inter sucumbiu à própria ansiedade e acabou derrotado em seus domínios no segundo jogo da semi-final. Na decisão por pênaltis, o veterano goleiro Almeida rechaçou a cobrança de Leomir, voando como um gato negro e abrindo as fendas do inferno para a imensa torcida colorada.

 

Agora, no rolo de técnico da equipe guarani, Almeida materializou-se outra vez na frente de Abel. Trajando um terno cinza e ostentando cabelos pintados, o arqueiro de outrora acabou sendo uma visão dantesca, surgindo como uma assombração através das portas do tempo e da noite escura de Assunção.      

 


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25/05/2013 - 15h05min

O doce gosto da nostalgia

Em uma pacata cidade do interior, cercada por montanhas verdejantes e onde charretes transitam pelas ruas, dia desses eu encontrei a felicidade. Na pracinha, à noite, seresteiros tocavam e casais dançavam alegremente ao redor do coreto. A luz da lua banhava as carrocinhas de pipoca, churros com doce de leite, maçãs do amor e raspadinhas com leite condensado, me levando de volta ao passado, a um tempo bom, que misteriosamente estava ali, agora, vivo outra vez. 

 

Nesse ambiente de sonho e sem perigos, também nasceu Mauro Ramos, o homem que ergueu pela segunda vez a taça Jules Rimet para o Brasil. Existe até uma estátua do zagueiro em frente ao estádio de futebol da cidade, uma justa homenagem ao seu filho ilustre e famoso. Mas isso foi bem depois que Mauro deixou a quietude de Poços de Caldas para atuar em terras bandeirantes. Vestindo a jaqueta tricolor do São Paulo, Mauro começou a se destacar, sendo muitas vezes campeão paulista. Mais tarde veio a transferência para o Santos, onde Mauro continuou a colecionar títulos e alegrias.

 

Mas nem tudo foram rosas, principalmente dentro da seleção brasileira. Depois de amargar a reserva nas Copas de 1954 e 58, Mauro foi obrigado a exigir lugar no time que disputaria o torneio no Chile, em 1962. Seu pedido foi aceito pelo técnico Aimoré Moreira e Mauro, além do posto, herdou também a braçadeira de capitão que era de Belini. Talvez essa demanda tenha sido a atitude mais ríspida dentro da carreira de Mauro, um beque que primava pela técnica e classe dentro de campo. E se na imaginação popular Heleno de Freitas era Gilda, personagem temperamental da atriz Rita Hayworth no cinema, Mauro, graças à sua elegância, recebeu o apelido de Marta Rocha.

 

A Miss Brasil de 1954 enfeitiçava os homens com seus olhos azuis brilhantes e seu corpo escultural. Na final do concurso de Miss Universo, Marta acabou perdendo para uma beldade americana, levando um jornalista da época a inventar a folclórica diferença das “duas polegadas a mais”, como sendo a razão da derrota. Outra lenda afirma que foi uma família de confeiteiros de Curitiba que teve a ideia de batizar uma das suas tortas em homenagem à moça baiana. A receita sobreviveu até os dias de hoje, permitindo que alguém adentre um universo paralelo, longe da rotina mesquinha do dia a dia, onde impera o sabor da massa de pão-de-ló recheada com creme de ovos, nozes e cobertura de suspiros. O sabor açucarado da infância e das praças, enfim. Um doce gosto de nostalgia que resiste incólume ao tempo nas padarias da vida, trazendo à tona agradáveis lembranças dos nossos campeões do futebol e da beleza.

 


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20/05/2013 - 21h05min

Mergulhando no rio da morte

Engana-se quem pensa que a literatura era a única aptidão de Edgar Allan Poe. O escritor americano foi também um exímio atleta, pelo menos durante a sua juventude. Ficou célebre o seu mergulho nas águas do Rio James, atravessando a distância apreciável de quase dez quilômetros a nado. A proeza foi aparentemente inspirada naquela realizada por Lord Byron, ídolo de Poe no mundo das letras, que cruzou o estreito de Dardanelos, em 1810.

 

A façanha de Poe foi executada sob um sol inclemente de verão, nadando contra a maré em boa parte do percurso. Uma atitude de coragem, sacrifício e estoicismo comparável apenas aos afazeres e dissabores do escritor que busca espaço no concorrido mundo das letras. Coincidência ou não, o autor do famoso poema “O Corvo” permanece como um exemplo clássico do artista que nunca obteve o reconhecimento devido nos seus dias, a despeito da sua obra magistral. De fato, quem mergulha no rio turbulento da literatura, arrisca a própria vida sem ter garantia de nada, além da alegria fugaz de compartilhar seus textos com algum amigo ou parente próximo, em um esforço solitário e nauseabundo.

 

Os escolhos a serem vencidos na travessia são infinitos, a começar pelo desprezo direcionado ao escritor desconhecido que busca iniciar uma carreira. Qualquer talento novo que apareça na cidade é logo rechaçado, afinal o que importa é idolatrar os valores que vem de fora. Escolas adotam livros somente de quem tiver algum conhecido lá dentro, ou de figuras públicas que estejam na mídia. Para viajar nos programas de escritores itinerantes (ganhando até cachê, vejam só!), é preciso ter os contatos certos. Ou seja, órgãos de apoio ao escritor são iniciativas louváveis, mas que funcionam apenas para alguns poucos.

 

Além disso, as editoras, na sua maioria, têm uma postura predadora e cínica para com o escritor. Primeiro adulam o pobre coitado, recebendo os originais do livro com alegria. Depois, vem o silêncio avassalador e eterno, castigando a alma ansiosa do artista sem misericórdia. Afinal, o que custa passar um e-mail informando que o projeto foi recusado? Todos nós sabemos que as editoras são empresas que visam o lucro, antes de serem entidades culturais ou filantrópicas. Não há nada de errado nisso. O problema é a falta de educação para com o escritor, o elo mais fraco da corrente. O ramo literário, onde o sentimento e a lira da inspiração valem ouro, é o mesmo onde as pessoas recebem um tratamento indigno e desumano.

 

Não são poucos os editores que agem como se fossem semideuses, brincando, de forma sádica até, com as esperanças do escritor. De forma covarde, encastelados na torre sórdida da prepotência, evitam até o fim o encontro com aquele que pede uma chance para mostrar seus rascunhos. Todas essas situações vão minando a autoestima do escritor, e podem fazê-lo desistir, ou resignar-se. Mas também podem servir como um estímulo extra, um desejo de lutar contra essa lógica perversa e seguir nadando contra a corrente.

 

Para piorar, os agentes literários, que poderiam servir como uma espécie de empresário do escritor, querem trabalhar apenas com nomes já consagrados, em uma nítida atitude comodista e esperta. Se o seu livro for de crônicas ou poesia então, esses indivíduos vão fugir de você como o diabo foge da cruz, tendo pesadelos à noite só de lembrar da sua cara. Outro obstáculo a ser superado são as “legiões de não-leitores”, conceito empregado por Charles Kiefer para definir uma das chagas presentes na vida do aspirante a escriba. Afinal, quase ninguém lê o que a gente produz no começo (e às vezes é assim até o final), deixando uma sensação de vazio e solidão, algo parecido com a morte dentro da vida.    

 

No caso de Poe, outras armadilhas surgiram no percurso. A sua facilidade em colecionar desafetos foi uma delas. Embora tenha sido um excelente poeta e contista, Poe era mais conhecido em seu tempo como crítico. Da sua pena jorrava sangue, a ponto do escritor de bigodinho e olheiras profundas ser comparado a um índio em busca de escalpos. Mas é provável que ele buscasse mesmo, através dos seus comentários, ditar um novo rumo para a literatura americana, arrasando os supostos maus escribas em nome de um bem comum.  A pobreza sufocante experimentada por Poe também colaborou para a sua derrocada. Inábil no terreno dos negócios, ele nunca conseguiu juntar dinheiro para viver com dignidade. A falta de tino comercial é uma característica, aliás, presente na maioria dos artistas. Dickens e Picasso, por exemplo, foram exceções, obtendo glória e popularidade em vida.

 

Mas não é deles que eu estou falando. Estou falando do escritor comum, que espera, assim como Poe ao abordar Dickens quando o inglês veio para a América, fazer contatos com autores famosos, quem sabe entregando-lhes o seu livro autografado, com a esperança de que o maioral se interesse pelo trabalho e abra alguma porta no labirinto sombrio do mundo literário. Enquanto isso não acontece, as águas do rio correm vigorosas na direção oposta do sonhador, que ofegante emprega uma braçada após outra sob o calor do sol. Um cenário que seria lindo se não fosse tétrico, eco de um conto do próprio Poe, com a beleza das palavras compondo um universo indissolúvel às agruras da morte e dos percalços inevitáveis e tristonhos do fazer literário. 

 


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Memórias do esporte

Lúcio Humberto Saretta, autor dos livros "Alicate Contra Diamante", "Crônicas Douradas" e "Lições da Barbearia", resgata os monstros sagrados do futebol, do boxe e do basquete de um jeito diferente, contrastando o ser humano e o ídolo, o mito e a realidade, jogando novas luzes em um tesouro adormecido e pronto para ser explorado, ou seja, as memórias do esporte e seus curiosos protagonistas. Neste espaço, o leitor também vai encontrar a opinião do cronista sobre o atual cenário esportivo, seus detalhes, polêmicas e novidades.

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