19/08/2016 - 18h08min

O ouro e a madeira

      O rumoroso caso dos nadadores americanos pegos em flagrante após delatar um falso assalto nas ruas do Rio de Janeiro mostra que nem sempre os campeões do esporte são um exemplo de boas maneiras e civilidade.

      O mentor intelectual da trama fabulosa foi Ryan Lochte, craque das raias olímpicas, em 2009 eleito o melhor nadador em seu país, superando inclusive o fenômeno Michael Phelps. Após ter amealhado a medalha de ouro no revezamento 4x200 metros, Ryan, em uma madrugada de embalos etílicos e festas, acabou, juntamente com alguns colegas, depredando o banheiro de um posto de gasolina. Para fugir das consequências do seu ato tresloucado, esse legítimo Pinóquio das piscinas inventou uma história incrível, afirmando ter sido assaltado por bandidos disfarçados de policiais, assumindo, assim, o papel de vítima.

     O que poderia ser encarado como um pequeno incidente adquiriu proporções avassaladoras a partir da falsa denúncia de Ryan. Afinal, manchetes retratando a cidade carioca como um antro de insegurança e selvageria ganharam o planeta outra vez, envergonhando todo o Brasil.

     No fim, o ilustre cidadão daquela que muitos chamam de “a maior nação do mundo”, provou que errar é normal, independentemente de bandeiras, etnias e galardões. Fazendo-nos lembrar os versos de Ederaldo Gentil em seu samba “O ouro e a madeira”, a verdade veio à tona, boiando sutilmente como um pedaço de pau. O ouro conquistado por Ryan, por sua vez, naufragou, até desaparecer entre a lama que habita as profundezas dos rios e da consciência humana.                                                                                          



Comentários postados


Antonio Bauer - Cronicas assim, nos deixam um pouco mais confortados, pois ,apesar de tudo que falam do Brasil lá fora, resta a satisfação de ver que eles também pisam na bola. Ouro e madeira. Muito bom..


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Memórias do esporte

Lúcio Humberto Saretta, autor dos livros "Alicate Contra Diamante", "Crônicas Douradas" e "Lições da Barbearia", resgata os monstros sagrados do futebol, do boxe e do basquete de um jeito diferente, contrastando o ser humano e o ídolo, o mito e a realidade, jogando novas luzes em um tesouro adormecido e pronto para ser explorado, ou seja, as memórias do esporte e seus curiosos protagonistas. Neste espaço, o leitor também vai encontrar a opinião do cronista sobre o atual cenário esportivo, seus detalhes, polêmicas e novidades.