12/05/2012 - 16h05min

Onde somente as águias ousam

A notícia estava escondida, parada no canto do jornal. Morreu o ex-jogador da Nigéria Rashidi Yekini. Contra a Bulgária, na Copa dos Estados Unidos em 1994, Yekini marcou o primeiro gol da sua seleção na história do torneio.  A comemoração do atacante, com as mãos abraçando os barbantes da rede, em um misto de sofrimento e alegria, foi registrada pelas lentes de fotógrafos do mundo inteiro, tornando-se um dos ícones daquela Copa. A beleza da imagem reside um pouco na simpatia que os times africanos despertam entre nós. Hoje em dia, o lado nobre do esporte está escondido, sufocado pela briga ridícula de craques milionários e egocêntricos para saber quem é o melhor. Quando surge uma vibração sincera e inocente como essa, somos arrebatados. Na ocasião do gol antológico de Yekini, a Bulgária tinha em suas fileiras valores como Stoitchkov, Balakov e Letchkov, e terminaria a Copa em quarto lugar. A Nigéria, por sua vez, logo aprendeu os truques do velho e violento esporte bretão. Em 1996, as “Águias” faturaram a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atlanta, título que nem mesmo nossa “poderosa” seleção possui.

 

Talvez pela pobreza do continente africano, onde guerras e fome são uma dura realidade, o gol de Yekini tenha chamado tanta atenção. Como uma flor que nasce no meio do deserto, o futebol serviu como um desafogo e um lenitivo, trazendo um pouco de paz para a torcida nigeriana. Não é uma questão de alienar, mas de distrair e, porque não, educar, já que o esporte traz lições e exemplos de superação a serem seguidos pelos jovens. Estimular um sonho, um objetivo que não passe necessariamente pelo futebol, foi a mensagem que ficou no gesto dramático de Yekini.

 

Enquanto estava ali, com os olhos úmidos e os punhos cerrados contra o céu, o jogador parecia querer alçar voo como a águia que inspira o apelido da Nigéria nos gramados. Alcançar a nuvem mais alta, um lugar onde não exista o lado superficial do esporte, e onde more a igualdade que não depende de bandeiras e riquezas, cores e religiões. 

 


Comentários postados (2) - Deixe seu comentário
05/05/2012 - 14h05min

No vinho, a verdade

O que é necessário para se fazer um bom vinho? Essa é uma questão que os entendidos podem esclarecer com propriedade. De qualquer maneira, qualquer um que preze degustar a bebida tem o direito de tentar responder. Para Galileo Gallilei, o vinho era “a luz do sol unida por água”. Acredito que um bom vinho deva ter no equilíbrio a sua qualidade principal. Não pode ter muita química, a tintura em excesso deixa o líquido com gosto artificial, além de manchar os lábios e a dentadura de quem bebe. A graduação alcoólica também é importante, afinal a sensação de torpor após sorver um cálice é fundamental para compor a essência e a “alma” do vinho. O ambiente no qual apreciamos a bebida é outro fator vital para que o prazer obtido seja maior. Uma tarde de sol outonal, com a temperatura amena, uma paisagem verdejante com casas de pedra e chaminés produzindo fumaça, trará sensações propícias para que o vinho penetre em nosso espírito. O tempo em que o líquido permaneceu descansando em pipas e barris de carvalho determinará o nível de pureza e coesão dos elementos, sendo um responsável direto no caráter e nobreza do vinho.

 

Um time de futebol segue princípios semelhantes. Como meu vinho preferido é do tipo tinto e meu time é o Caxias, que, por sinal, tem a camisa confeccionada na bela e inconfundível cor bordô, acho legítimo suscitar tal comparação. Ainda mais agora, quando vivemos a expectativa da grande final do Gauchão, e afinal saberemos de que uva é feito o esquadrão grená. O que se espera é que o time esteja pronto para ser campeão, passando no teste derradeiro de qualidade e deleitando o torcedor com o gosto saboroso da vitória. A defesa deverá ser soberana, feita de um teor sóbrio e encorpado, típico das melhores safras. O meio campo deverá permanecer entrosado como o amálgama que atuou e envelheceu jogando de maneira impecável no primeiro turno da competição. E o ataque deverá trazer consigo a dose de fantasia necessária para produzir o momento sublime e embriagante do gol. As condições climáticas apontam um domingo de céu firme, compondo o cenário ideal para uma apresentação memorável do Caxias em tarde de estádio lotado. 

 

Chegou a hora da verdade. Uma verdade que, como diz o ditado, está no vinho. E também dentro das quatro linhas de um campo de futebol.

 


Comentários postados (2) - Deixe seu comentário
28/04/2012 - 11h04min

O fascinante mundo de Heleno

Uma biografia nunca é feita de mera pesquisa, ela envolve também sensibilidade e perspicácia para lidar com o personagem abordado. Tais qualidades não faltam no texto de Marcos Eduardo Neves, escritor e jornalista carioca autor do livro “Nunca Houve um Homem como Heleno”.

 

A obra desvenda a figura mítica e misteriosa de Heleno de Freitas (1920-1959), craque do Botafogo e da seleção brasileira.  Acostumado com as delícias da fama e da fortuna no Rio de Janeiro da década de 1940, o mineiro de São João Nepomuceno acabou perecendo vítima de um estilo de vida excêntrico e desregrado.

 

Na entrevista a seguir, vamos conhecer um pouco mais sobre o futebolista e ser humano de personalidade intrigante, agora resgatado de forma notável graças ao esforço e talento de Marcos Eduardo.   

 

Saretta: Como surgiu a ideia de escrever a biografia do Heleno?

 

Marcos Eduardo: Surgiu de um bate-papo informal com o comentarista Luiz Mendes, recentemente falecido, que foi contemporâneo do Heleno. Ele me sugeriu mergulhar nessa história, pois ela estava “pedindo para ser contada” há décadas. Realmente, a história do Heleno fascina, seduz e não entendo como não a haviam contado antes.

 

Saretta: Graciliano Ramos certa vez se referiu ao amigo José Lins do Rego como um “retratista de almas”. Sabemos que em um bom romance, os personagens fictícios costumam assumir uma verossimilhança muito grande. O biógrafo, por sua vez, não corre o risco de seguir o caminho contrário, ou seja, “distorcer” uma figura real afastando-a da sua verdadeira essência?

 

Marcos Eduardo: Acredito que um bom biógrafo, ou alguém que se detenha a contar a realidade sem florerar ou colocar parcialidade, não. Até por não ser alvinegro, me detive aos fatos. Coloquei as virtudes e os defeitos. Humanizei o mito e desconstruí lendas em prol da verdade. Acredito que fiz de forma correta meu trabalho. Tanto que quem lê a obra não sabe ao certo diagnosticar se Heleno de Freitas foi de fato herói ou vilão.

 

Saretta: Você realizou várias entrevistas para compor o livro sobre o Heleno. Dentre essas pessoas, qual foi aquela que demonstrou ter tido um conhecimento e uma intimidade maior com o jogador ao longo da vida? Como era essa relação?

 

Marcos Eduardo: Durante o processo de apuração, tive de lidar com um universo de pessoas que hoje estão com 95, 92 ou 90 anos. No mínimo, 80. Fãs, torcedores, amigos, familiares. Muitos morreram ao longo das entrevistas. Portanto, foi bem complexo. Dentre os que mais ajudaram, destaco o Mariozinho de Oliveira, membro do Clube dos Cafajestes, colecionador de mulheres e cadilacs nos anos 40. Ele conviveu de forma muito próxima do Heleno e pôde trazer rico detalhamento de seu temperamento e emocional.

 

Saretta: Quem foi o grande amor da vida do Heleno?

 

Marcos Eduardo: Sem dúvidas, ele próprio. Heleno era ególatra, narcisista, pedante, arrogante e tinha empáfia acima do comum. O mais intrigante é que, apesar disso tudo, era extremamente charmoso, sedutor. Ao mesmo tempo que atraía as mulheres, deixavam os homens fartamente admirados por ele. Foi um dos mais ricos personagens de seu tempo.

 

Saretta: O Heleno teve algum ídolo de infância no futebol?

 

Marcos Eduardo: Se teve, ele nunca deixou transparecer quem foi. Todavia, o único zagueiro que ele respeitava foi Domingos da Guia, com quem travou épicos duelos.

 

Saretta: O filme sobre a vida do Heleno estrelado por Rodrigo Santoro já está nos cinemas. A película rendeu várias reportagens em jornais, revistas e televisão, com o craque botafoguense invariavelmente sendo rotulado como “o primeiro ‘bad-boy’ do futebol brasileiro”. Você concorda com essa definição?

 

Marcos Eduardo: Sim, concordo. O primeiro jogador-problema de alta repercussão nacional talvez tenha sido Leônidas da Silva. No entanto, ele sempre se revoltou mais por ser vítima de racismo do que foi um personagem idiossincrático. Já Heleno tinha tudo para não ser rebelde, era de família rica, se formou em Direito, no entanto foi o mais indomável de toda a história do futebol nacional.

 

Saretta: O centro-médio Ávila foi uma figura de extraordinário relevo na equipe do Internacional dos anos 40, tendo mais tarde se transferido para o Botafogo onde atuou ao lado do Heleno. Estou vendo aqui nos agradecimentos do seu livro que você o entrevistou. Como foi esse encontro?

 

Marcos Eduardo: Falei com ele por telefone algumas vezes e ele sempre foi muito solícito. Apesar do grande jogador que foi, um de seus orgulhos foi poder ter jogado ao lado de alguém tão expressivo como Heleno. Ávila contou-me histórias demasiadamente saborosas.

 

Saretta: Você também escreveu a biografia de outro polêmico e talentoso atacante, Renato Gaúcho. Quais são, na sua opinião, as principais semelhanças e diferenças entre eles?

 

Marcos Eduardo: Entre as diferenças, a condição social e o fato de Heleno ter se viciado em drogas e derrocar tanto na parte profissional como organicamente, já que contraiu sífilis e padeceu num sanatório. Renato, ao contrário de Heleno, veio de família humilde, como, por sinal, a grande maioria dos jogadores de futebol; bebia e ainda bebe sua cerveja, mas jamais deixou se levar pelo vício; e hoje joga seu futevôlei aqui em Ipanema, está plenamente saudável. Muitos diziam que o Renato era “maluco” mas ele soube cuidar muito bem de seu patrimônio. Quanto às semelhanças, ambos foram populares, bonitos, mulherengos, temperamentais e craques.

 

Saretta: A história do Heleno é trágica como o suicídio de um poeta. Como você resumiria a grande lição ou mensagem deixada por ele e que sobrevive até os dias de hoje? 

 

Marcos Eduardo: Simples. O drama pelo qual Heleno passou nos anos 50 serve de exemplo a muitos jogadores de hoje em dia, que podiam, se não ler o livro, ao menos ver o filme para perceberem que o céu e o inferno têm fronteiras tênues no mundo da fama.

 

Marcos Eduardo Neves foi o responsável por trazer à tona a história do craque Heleno de Freitas. Foto: Arquivo pessoal


Comentários postados (2) - Deixe seu comentário
21/04/2012 - 11h04min

Uma fiel companheira

Às seis horas o sino da capela bate em meio ao som dos passarinhos em polvorosa. No interior do estúdio, o músico afina as cordas do seu instrumento. O diapasão vibra no tom de lá maior, e o ouvido aguçado do músico prepara o violão para mais uma sessão de estudo. Enquanto isso, na academia, o boxeador inicia o aquecimento, alongando os músculos e correndo para aprimorar sua condição física. Atirando golpes no ar, o atleta parece lutar contra a própria sombra, enquanto busca a concentração necessária para forjar o seu ofício. Depois, veste as luvas com extremo zelo, verificando se elas estão apertadas e ajustadas corretamente. 

 

De volta ao estúdio, o músico dispõe as partituras na estante e destrava o metrônomo, aparelho que serve para medir o tempo no qual os compassos devem ser executados. Após respirar fundo, ele dá início ao treino, repetindo as notas tenazmente com seus dedos ágeis dando vida à melodia estática das escalas. Muitas vezes a prática soa imperfeita, propelindo o músico a realizar incontáveis tentativas na perseguição ao seu objetivo. Na academia, o pugilista trabalha no saco de pancadas. Um jab, um direto, um cruzado, um gancho. E assim sucessivamente, como um ourives a lapidar a sua técnica. O suor escorre em profusão pelo seu rosto, até as gotas grossas e cristalinas serem lançadas no ar pelos movimentos bruscos do exercício. 

 

O violinista agora toca canções populares, procurando dominar os diferentes ritmos, como, por exemplo, a valsa, o samba, o baião. Da mesma forma, o boxeador alterna a sequência de golpes, um jab, um direto, dois ganchos, um cruzado e um direto. A repetição exaustiva e mecânica é a alavanca que permitirá ao boxeador desenvolver um estilo particular, dando asas à sua imaginação e soltando os punhos livremente, como um músico que cria as suas próprias composições. 

 

Terminado o ensaio, o músico acondiciona o violão no cavalete e fecha o caderno de partituras. O boxeador, por sua vez, retira as luvas, toma o seu banho e parte rumo ao lar.  Na cabeça de ambos a certeza do progresso obtido em mais um dia de estudo, e a satisfação de ter na arte a fiel companheira de todas as horas.

 


Comentários postados (1) - Deixe seu comentário
14/04/2012 - 10h04min

A televisão e as batatas

Um dos responsáveis em abrir e consolidar os caminhos que levaram a televisão brasileira a uma posição de destaque no cenário mundial, Boni acabou de lançar o seu livro de memórias em Porto Alegre. Sujeito de admirável sensatez, o ex-todo-poderoso da maior emissora do país não se furtou em apontar o estado lastimável das produções levadas ao ar atualmente. Para Boni, “falta densidade” na programação, condenando o espectador à vala comum e indigna da mediocridade geral. Infelizmente, o veículo mais popular de comunicação das últimas décadas acabou sendo vítima da sua própria grandiosidade e encontra-se incapaz de gerar um conteúdo que possa prestar serviços relevantes à sociedade, instigando o pensamento e educando, antes de absorver e alienar a atenção das massas indefesas ao apelo sedutor das suas facilidades. Surgida do ventre generoso do circo, do teatro e do rádio, a televisão brasileira acabou devorando as manifestações de arte genuína que lhe trouxeram à vida, substituindo-as no gosto e na preferência das turbas.

 

Nos Estados Unidos, fenômeno semelhante aconteceu. No início dos anos 50, enquanto ia adentrando um número cada vez maior de lares americanos, a televisão teve uma nefasta e decisiva colaboração no processo de desmantelamento do boxe. Quem capturou essa questão de forma brilhante foi o jornalista A. J. Liebling, através de suas crônicas na famosa revista “The New Yorker”. Para Liebling, a televisão proporcionava uma visão tão confortável e prática das lutas que as pessoas passaram a se sentir constrangidas a pagar para ver o evento ao vivo.  “Os homens estão se tornando escravos das suas sombras”, dizia ele.  O jornalista, que versava com maestria também sobre política, imprensa e gastronomia, entre outros assuntos, teve um lampejo de rara felicidade ao comparar o efeito da televisão ao da batata que, após ser introduzida no cardápio da Irlanda, acabou por diminuir o padrão de qualidade da culinária em geral, em razão do seu baixo preço. 

 

Curiosamente, ao transmitir programas esportivos, leia-se jogos de futebol, a televisão exibe apenas as equipes de ponta, com seus astros milionários correndo atrás da bola para mais tarde banquetearem-se com filé “mignon” e “champagne” francês. Uma situação que apenas contribui para aumentar o abismo social que separa os consagrados jogadores da maioria esmagadora de atletas que militam em voo cego por times menos privilegiados e esquecidos pelo toque mágico das câmeras de tv.  

 


Comentários postados (2) - Deixe seu comentário
07/04/2012 - 09h04min

Canções de um grande coração

O nosso convidado de hoje ajudou a escrever a história da música popular gaúcha com talento, determinação e coragem. Autor de canções de rara beleza, pérolas que embalam os sonhos e amores de gerações a fio desde o final da década de 1970 e que permanecem intactas em sua essência.

 

Um artista genuíno, que em parceria com o seu querido irmão Kleiton foi pioneiro na batalha de desbravar com sucesso os palcos do centro do país. A filosofia do alto astral ganhou o mundo, inspirada nas calçadas da sua musa Porto Alegre, desde então homenageada nas cordas de um violão sempre que é noite de serenata.

 

O tempo passou e ele agora navega também pelo mar das letras, produzindo crônicas e livros de teor inigualável, ricas e simples como a vivência do escritor que gosta de futebol, rock e chimarrão.

 

Com vocês, Kledir!

 

 

Saretta:  Vamos abrir o jogo logo de cara. Qual é o seu time do coração? Você poderia nos contar um momento marcante da sua vida como torcedor?

 

Kledir:  Como tenho coração grande, consigo espaço para dois times. O primeiro é o Esporte Clube Pelotas, meu time da infância. Guardo na memória os jogos que Vô Ramil nos levava para assistir no estádio da Boca do Lobo. O time era a sua paixão.

Quando fui morar em Porto Alegre me encantei com o Internacional de Falcão, Manga, Carpeggiani, Figueiroa e Valdomiro. Um momento inesquecível foi, recentemente, o dia em que recebi o título de Cônsul Cultural do Colorado, em pleno gramado de um Beira Rio lotado.

 

Saretta:  Você pratica esportes?

 

Kledir:   Adoro futebol e automobilismo, mas pratico mesmo natação.

 

Saretta:  Dizem que a boemia é inimiga do atleta. O músico, ao contrário, parece ter essa coisa no sangue, até pelo fato de tocar na noite. Você, em algum momento da sua vida, teve esse perfil?

 

Kledir:   Não bebo, não fumo, não uso drogas. E me sinto bem assim. Cheio de saúde, produtivo e sem ressaca.

 

Saretta:  Cite-nos personagens que te inspiraram no esporte, na música e na literatura?

 

Kledir:  Pelé, Garrincha, Falcão, Ronaldo, Damião... mas o que me faz mais falta é o meu amigo Sócrates.

Emerson, Piquet, Senna... John, Paul, George, Ringo. Mercedes Sosa, MPB4, Nara Leão, Chico...  Veríssimo, Scliar, Simões Lopes... a lista não tem fim.

 

Saretta:  Nos concertos da dupla Kleiton & Kledir, a plateia se delicia ao ouvir sucessos como “Deu pra Ti”, “Maria Fumaça” e “Vira Virou”, entre outras. Existe alguma canção menos conhecida do público que você tenha como “xodó” e goste de tocar ao vivo?

 

Kledir:  Há algumas músicas que não tiveram muita visibilidade, mas deram um enorme prazer no momento da criação, como é o caso de Insônia. E mais recentemente Eva, em 7/8, com muitos nomes de mulheres e sua versão masculina, Adão, que respeita o mesmo jogo de rimas e aliterações da versão feminina.

 

Saretta:  Você poderia nos contar sobre qual foi o seu show inesquecível, como protagonista e como espectador?

 

Kledir:   Como protagonista, será o próximo. O espetáculo infantil Par ou Ímpar que estamos montando com o Grupo Tholl e deve estrear em maio.

Como espectador foram muitos, mas Paul McCartney no Beira Rio, abraçado nos meus filhos... foi inesquecível.

 

Saretta:  O que é mais prazeroso e difícil, a luta do iniciante até atingir o reconhecimento, ou manter a motivação e a inspiração depois de se tornar famoso junto ao grande público?

 

Kledir:  Tudo é sempre muito trabalhoso. Se alguém escolher essa profissão porque quer moleza, pode desistir. Ao mesmo tempo o processo de criação é muito prazeroso, é o que me mantém cheio de vida.

 

Saretta:  Qual o papel do artista?

 

Kledir:  Dizem que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus por sua capacidade de criar. Acho que o papel do artista é esse, contribuir com novidades pra ajudar o mundo a andar pra frente.

 

Saretta:  Quais são seus planos futuros como escritor?

 

Kledir:  Devo lançar um livro de crônicas este ano e estou trabalhando na idéia de um romance. Ao mesmo tempo ando fascinado com teatro, desde que adaptei para o Brasil a peça Gorda, do americano Neil Labute. Quero fazer mais dramaturgia, para teatro, cinema e TV.

Kledir: na música ou na literatura, um talento a ser louvado. Foto: Divulgação


Comentários postados (4) - Deixe seu comentário
31/03/2012 - 14h03min

Doses de atrevimento

Motivado pelo desaparecimento do genial Millôr Fernandes, decidi registrar alguns pensamentos curtos de minha autoria, à moda do escritor carioca. Mesmo sem possuir um milésimo do humor brilhante e demolidor do mestre, espero instigar alguma forma de reflexão. Agradeço, pois, a paciência e boa-vontade do leitor.

 

-         A inspiração é como o amor. Aparece quando menos se espera.

 

 

-         O bar ensina as coisas da vida, mas para escrever é preciso estar sóbrio.

 

 

-         A folha em branco é a academia do cérebro.

 

 

-         Uma frase bem feita é um gol. Uma crônica terminada, uma vitória.

 

 

-         Escrever é como saltar de um avião ou de um abismo.

 

 

-         A única vitória possível no esporte é conquistar a si mesmo.

 

 

-         A novela tem sempre o mesmo enredo. O futebol é imprevisível.

 

 

                                                                       *      *      *

 

Ainda dá tempo de conferir a exposição “Devaneios Digitais” do fotógrafo Tiago Marcon, na Galeria de Arte da Casa da Cultura, em Caxias do Sul. Através de rara sensibilidade, Marcon compõe quadros de beleza instigante. O domínio apurado da técnica de sobrepor imagens permite ultrapassar os limites da fotografia, rumo a um universo de sonho e mistério.

 

 


Comentários postados (1) - Deixe seu comentário
PUBLICIDADE

PUBLICIDADE PUBLICIDADE

Memórias do esporte

Lúcio Humberto Saretta, autor dos livros “Alicate Contra Diamante” e “Crônicas Douradas”, resgata os monstros sagrados do futebol, do boxe e do basquete de um jeito diferente, contrastando o ser humano e o ídolo, o mito e a realidade, jogando novas luzes em um tesouro adormecido e pronto para ser explorado, ou seja, as memórias do esporte e seus curiosos protagonistas. Neste espaço, o leitor também vai encontrar a opinião do cronista sobre o atual cenário esportivo, seus detalhes, polêmicas e novidades.