14/12/2013 - 10h16min

Blue Jasmine

Saulo José Leite

 

É difícil descer.


Num mundo em que pessoas adotam tipos, perfis, personalidades, paradigmas, estilos e comportamentos com frequência e instintivamente, em que utilizam máscaras e criam fakes nos mais diversos níveis de convivência e relacionamento, o novo filme do conceituado diretor Woody Allen, Blue Jasmine, ''cai como uma luva''. O longa, feito com personagens em potencial (e atores de primeira classe) e não por história propriamente dita é uma avalanche de reconhecimento, aceitação, identificação, autocrítica e reflexão sobre aquilo que nós tentamos ostentar como lógico e natural, mas que ainda se concentra no campo do orgulho, do preconceito, do interesse e do estereótipo social, cultural e, é claro, econômico. 

 

Por isso, começo dizendo que ''Blue Jasmine'' é, com toda certeza, um dos melhores títulos do ano, pois traz em perfeita desarmonia - e bem ao estilo Woody Allen - a incapacidade do ser humano em ser fiel e leal a si mesmo por conta de uma sociedade que cobra status e referências das mais diversas implicações.

 

 

Contudo, ao acompanhar a aventura de Jasmine pela procura de uma nova e indesejada vida, o filme se enriquece por registrar o quanto as personagens estão movidas por ''choques culturais'' - é impressionante como o sábio diretor nos oferece diferentes dimensões sobre como uma pessoa ou outra, influenciada pela própria cultura e oportunidades, enxerga a felicidade, o prazer e a vida. Enquanto Jasmine anseia por um homem rico e por estabelecer sua própria vida como Desing de Interiores e, conseqüentemente, com referências sociais, sua irmã (Ginger – a ótima e divertida Sally Hawkins) quer apenas se acertar com o parceiro (Chili - Bobby Cannavale), cuidar dos filhos e continuar a vida simples em São Francisco. Mas não são apenas as diferenças que interferem nas escolhas das personagens, nas rejeições das protagonistas e no dinamismo do filme.  

 

No entanto, são diversos os elementos que determinam o bom resultado de Blue Jasmine. Woody Allen cria uma personagem central inflada pelo ego e, a partir disso, é válido prestar atenção, por exemplo, na primeira seqüência que ocorre no avião e no aeroporto quando o filme já nos diz muito sobre uma mulher que, mimada pelo marido, mas ''vítima'' da falência tornou-se individualista a ponto de querer somente falar de si mesma, acreditando que sua história de vida seja unânime e digna de ser conhecida. No papel, Cate Blanchett supera todos os obstáculos. Com humor e drama na hora e no momento certo, Blanchett está diante de um Oscar (e confesso que, até o dia da premiação, vai ser difícil alguém desviar essa minha torcida). 

 

Em poucas palavras, ''Blue Jasmine'' é um filme para ser contemplado em todas as suas variações, pois é uma junção de muitos atributos que definem atualmente o que chamamos de bom cinema. Inteligente, belo e complexo. 



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Saulo José - Blue Angelita cover!

Angelita Machado - "Blue Jasmine" and "Blue Saulo José" - texto apaixonante! beijos


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Do Cinema à Televisão

Saulo José é natural do interior paulista, morou no Paraná e, hoje, reside em Caxias do Sul. Estuda "Comunicação" e "História", e já estagiou diversas vezes na área de "Assessoria de Imprensa". Cinema e Teledramaturgia são alguns dos interesses na profissão.

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